quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

vá.idades

huuum, hoje é "dia aniversário" e quis me delongar aqui sobre alguns dos achados desse meu ano. com o risco de não me fazer compreensível, optei por fazer uma quase associação livre em texto: escrever o que me veio, na ordem que veio e quase sem censura. eis que compartilho...
alguns sentimentos fizeram-se presentes, a palavra recorrente e tradutora do que muito senti, é a saudade. palavra tupiniquim, que só nós brasileiros temos para traduzir tamanha sensação, mas que apesar da bela tentativa, só cada sujeitinho é que sabe o que ela significa, e no meu caso, só eu sei do quanto ela me fez sorrir quando eu fechei os olhos e as boas lembranças vieram, e como ela mobilizou lágrimas, das correntes e sem aparente fim: cachoeiras, e das quase imperceptíveis que eu só sabia da sua ousada presença quando a sensação da umidade da fina lágrima escorria pelo meu rosto.
pessoas queridas e amadas foram para longe, estão noutros lugares, algumas fazem planos de ficar, outras de voltar, outras ainda não sabem se sabem. até eu por vezes faço meus planos de ir. a distância que me separa de meus amores e de meus afetos não se faz silenciosa em meu peito, mas tenho a garantia e o afago de tê-las em presença dentro de mim.
tive algumas descobertas, e novos olhares para coisas de outrora, difícil esboçar sobre elas. quero então especialmente comentar do quão delicado e do quão imenso é descobrir-se frágil... entender de uma passividade que me permite atuar tal qual sujeito que sabe-se doadora, mas que sobretudo se encontra com suas próprias faltas, que assume-se como alguém que também precisa e pode receber. confesso não me recordar do último colo em que me deitei, mas recordo-me da sensação e dela ainda quero deleitar-me.
algumas pessoas repetidamente me contaram da impressão que tinham do quanto eu sou feliz e do quanto sou forte, e de fato tenho um bocado disso tudo em mim, mas o pesar e a fragilidade habitam aqui também. a sensibilidade atua em ambos os lados, e agradeço por isso. ainda que um suposto desejo de imunidade exista, a verdade é que não conheço nada mais humano do que sentir, e saber-se sujeito no mundo enquanto alguém que se permite aos sentimentos e às razões das emoções.
hoje resolvi mudar de perfume. na loja, o perfume novo que escolhi tem algumas essências semelhantes ao de outrora, no entanto é mais doce, mais leve, mais harmônico, ainda que intenso. a doçura me apetece profundamente, mas sobretudo a feminilidade e a harmonia que esse perfume traz foram instigantes na escolha, escolha da ordem olfativa, diga-se, mas que como os outros sentidos, vem falar de uma busca... a busca de um meio, e o que quero dizer é que posso entender que o meio pode sim ser bom, que ele é o que tenho de mais próximo da tão desejada paz: nem carência, nem excesso.
entra tantas coisas, e eis que consto aqui a minha evidente limitada capacidade de síntese, foi sobretudo muito importante entender que não preciso, tampouco devo, fechar portas, afinal muitas coisas surpreendentes podem acontecer, inclusive as esperadas.
entre tantos sorrisos e lágrimas, entre tantas palavras e tantos silêncios, pude ouvir - acompanhado, em um mesmo momento, de sorriso, lágrima, silêncio e palavras - um especial "eu te amo, fê", de uma pessoa linda, amada, sensível, que me foi imensamente importante e inesperada, que sem saber e sem que eu me desse conta, soube tocar-me, e me fez notar como é bom ser tocada, sobretudo na alma.
o que aprendi graças a tantas pessoas, e graças a uma posição delicada e por vezes angustiante de minha própria escuta, é que tão sublime quanto o que entendo como o mais sublime: o amor, é acreditar... e é nisso que quero insistir, no amor e na crença, no ano que passou, nos meus vinte e tantos anos e nos outros que hão de vir.
(fernanda pereira)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"deixa de bobeira, a vida é tão ligeira"



"anda teu andar sem pressa
chega, a boa hora é essa
entra, puxa essa cadeira
tem a tarde inteira

quase que eu perdi o medo
deixa de guardar segredo
deita, espera amanhecer
sabe como deve ser

traz de volta a claridade
arde um sopro de saudade
senta, deixa de bobeira
a vida é tão ligeira

a promessa que eu fiz foi diferente
quando dá voltas parece que é mais perto
não há jeito melhor que jeito certo
quem quer sombra melhor jogar semente
quando for dar um passo, olhe pra frente

saiba bem do caminho na largada
e não vá se perder com tanta estrada
não se pode esquecer do objetivo
não há laço maior que o afetivo
nem amparo melhor que a madrugada"
(música de alessandra leão e letra de juliano holanda - boa hora)
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e... "arde um sopro de saudade"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

reveja o meu caso...


"ninguém sabe quem sou eu
também já não sei quem sou
eu bem sei que o sofrimento
de mim até se cansou
na imitação da vida
ninguém vai me superar
pois sorrio da tristeza
senão acerto chorar
mesmo assim eu vou passando
vou sofrendo e vou sonhando
até quando despertar

dona solução
reveja o meu caso com atenção
a esperança aqui é forte
e mora no meu coração"
(imitação - do sambista baiano batatinha, por juçara marçal e kiko dinucci)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

fantasia...

"imagina só
que eu desde pequena
provava um bocado
da tua merenda

imagina só
que eu sou da tua sala
carregas meus livros
e eu te passo cola

imagina só
que eu sou da tua rua
abri uma porta
de frente pra tua

imagina só
que o teu cão amigo
só sabe o teu cheiro
quando estás comigo

imagina só
que eu sou tua dama
teu último sonho
a mais viva chama

imagina só
que eu sou tua garota
nós dois para sempre
que não és de outra"
(imagina só - silvio rodrigues, versão de chico buarque)
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felizmente, ainda devaneio... fantasio... sonho... e creio!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

orfeu menos eurídice: coisa incompreensível...



"mulher mais adorada!
agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços!
te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
é mais por que te amar,
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada...

e sabes de uma coisa?
cada vez que o sofrimento vem,
essa saudade de estar perto, se longe
ou estar mais perto, se perto
que é que eu sei?
essa agonia de viver fraco,
o peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, orfeu;
tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem.

nada disso tem importância
quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, essa harmonia, esse corpo!
e me dizes essas coisas
que me dão essa força, essa coragem, esse orgulho de rei.

ah, minha eurídice,
meu verso, meu silêncio, minha música!
nunca fujas de mim!
sem ti, sou nada.
sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
orfeu menos eurídice: coisa incompreensível!
a existência sem ti é como olhar para um relógio
só com o ponteiro dos minutos.
tu és a hora, és o que dá sentido
e direção ao tempo,
minha amiga mais querida!

qual mãe, qual pai, qual nada!
a beleza da vida és tu, amada,
milhões amada! ah! criatura!
quem poderia pensar que orfeu,
orfeu cujo violão é a vida da cidade
e cuja fala, como o vento à flor
despetala as mulheres -
que ele, orfeu,
ficasse assim rendido aos teus encantos!

mulata, pele escura, dente branco
vai teu caminho
que eu vou te seguindo no pensamento
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia
para os braços sem fim do teu amigo!

vai tua vida, pássaro contente
vai tua vida que estarei contigo!"
(monólogo de orfeu, de vinicius e tom, por maria bethania)

sábado, 21 de novembro de 2009

minha ternura
















"não consigo explicar minha ternura. minha ternura, entende...?"
(ana c.)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

veja você...



"veja você, eu que tanto cuidei minha paz
tenho o peito doendo, sangrando de amor
por demais
agora eu sei a extensão da loucura que fiz
eu que acordo cantando
sem medo de ser infeliz

quem te viu e quem te vê, hein rapaz?
você tinha era manias demais
mas aí o amor chegou
desabou a sua paz
despediu seu desamor pra nunca mais
algum dia você vai compreender
a extensão de todo bem que eu lhe fiz
e você há de dizer: eu agora sou feliz
quem te viu e quem te vê, hein rapaz?"
(veja você, música de vinicius de morais e toquinho, cantam toquinho e clara nunes)