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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

eu enxergo!

“- quanto você enxerga?
- ... é só porque eu estava sonhando acordada
- sonhando acordada? sonhando com o quê?
- eu ouço música, ritmos.
- ora, vamos! música!
- ... precisa ficar atenta o tempo todo. prometa que ficará acordada!
- prometo parar de sonhar.”


“- eu já vi tudo
eu vi as árvores
eu vi as folhas do salgueiro dançando com a brisa
... eu vi vidas terminarem muito antes do fim
eu vi o que eu era
e sei tudo que serei
eu sei tudo isso
não há nada mais a ser visto
- você não viu os elefantes, reis ou peru
- fico feliz em dizer que mais o que fazer
- e a china, já viu a grande muralha?
- todo muro é ótimo, desde que segure o teto
- e o homem com quem irá se casar? e a casa que irá dividir?
- para ser bem franca, eu não me importo
- nunca esteve nas cataratas do niágara
- já vi muita água, e água é só água
- e a torre eiffel? o empire state?
- tão altos quanto a minha pulsação no meu primeiro encontro
- e as mãozinhas do seu neto brincando com seus cabelos?
- para ser bem franca, eu não me importo
eu já vi tudo
eu vi a escuridão
eu vi a luminosidade de uma pequena faísca
eu vi o que escolhi ver
vi o que precisava
e isso basta
querer mais seria avidez
eu vi o que eu era
e sei o que serei
eu já vi tudo isso
não há nada mais a ser visto
- você já viu tudo isso
e tudo o que você já viu
sempre pode rever na telinha da sua mente
a luz e a escuridão
o grande e o pequeno
guarde-os sempre em sua mente
não precisa de mais nada
viu o que você era
e sabe o que vai ser
você já viu tudo isso
não há mais nada para ver.
(- você não enxerga, não é?
- ... eu enxergo!)”
(dançando no escuro, filme de lars von trier
música: i've seen it all, björk)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

delicatessen

retrata um pouco do tanto da espécie humana, dos que os homens, tal qual pedaço de carne que somos, são diante de supostas situações de privação. com certo humor e inteligência nos coloca diante do que se pode ser, ou mesmo do que outrora teria sido. sobretudo nos convida a nos colocar e/ou questionar o lugar de sujeitos que ocupamos. sujeitos no sentido do que realmente o termo trata, é sujeito porque se sujeita, se sujeita à cultura, e é ela que nos possibilita viver juntos. o lindo do filme é que um palhaço é que faz retrato da sensibilidade e da possibilidade da beleza humana, do sujeito no mundo , que lembra da possibilidade das re.lações, da necessidade do perdão para que as pessoas possam viver juntas, afinal sempre haverá falhas e faltas, e da genuinidade de dar-se ao trabalho de pensar no que pode levar alguém ter determinadas escolhas. destaque à cena - aos meus olhos, a mais linda do filme - do violoncelo e do serrote que opostamente sofisticados, juntos são capazes de tocar e tocar e nos lembrar da fragilidade e da fortaleza que é ser sujeito humano. o triste é pensar que no dado momento da nossa política é também um palhaço – opostamente querido e sensível ao do filme - que está nos pondo diante da “nossa barbárie”, falta de questionamento e lugar no mundo. é um palhaço que retrata um tanto da nossa situação e faz quase vir um “é uma puta falta de sacanagem”, como disse a “sábia” fã dos pops e coloridos meninos “cantantes” da tal banda que ultimamente ganhou destaque e um tanto de prêmios na música brasileira, tal qual as bandas coloridamente semelhantes... e que também nos convidam para a possibilidade de reflexão sobre um tanto do que tem nos rodeado e nos questionarmos que posição queremos ocupar diante do que nos é oferecido, diante de nossos próprios sintomas, diante de nossa vontade de viver, e fazer de nossa existência algo da ordem do prazer que podemos ter enquanto sujeitos da cultura, enquanto sujeitos relacionais, e sim, podemos ter prazer... justamente a medida do prazer que nos permite viver.
(filme: delicatessen, de jean-pierre jeunet e marc caro, frança, 1991)
(texto: fernanda pereira)

domingo, 19 de setembro de 2010

baarìa - a porta do vento

filme belo, delicado... nos coloca diante de nossa condição humana, de nossos desejos, almejos, intenções, temores... nos convida a nos posicionar perante nossos sonhos, sobretudo sobre nossa possibilidade de sonhar e atuar sobre eles... da força humana de insistir e de crer na possibilidade das coisas... de ver a beleza, de saber-se relacional... faz pensar além de nosso narcisismo de supor que somos os únicos ou poucos sujeitos amantes no mundo, amantes do mundo... de fazer perceber como os pensamentos e os afetos humanos são compartilhados e de como cada qual se faz em seus desejos... nos permite saber-se frágeis e crédulos da força da vontade de viver e de per.correr os caminhos seguintes. é um filme de amor, aos que se permitirem colocar-se diante do amor...
(baarìa, a porta do vento, filme de giuseppe tornatore)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

quero ter uma vida-lazer




"cidade abandonada: ponto inicial da transposição das águas"

"quero ter uma vida-lazer"

(filme: viajo porque preciso, volto porque te amo, de marcelo gomes e karim aïnouz)

sábado, 24 de abril de 2010

sétimo selo

"o amor é a pior das pestes, mas morrer de amor seria um prazer.
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- nunca para de questionar?
- nunca vou parar.
- mas não tem respostas!
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- o que ela vê?
um anjo, o diabo, deus ou é apenas o vazio? o vazio...
- não pode ser.
- veja os olhos dela. ela está descobrindo algo. o vazio sob a lua.
- não.
- estamos impotentes... pois vemos o que ela vê e tememos o mesmo.
- ... não posso suportar!"
(o sétimo selo, filme de ingmar bergman, suécia, 1956)

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um filme que se dá a ousadia de falar do amor, do real, do vazio, da morte e da angústia.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

mary e max

"...queria que ele passasse mais tempo com ela, e menos com seus amigos mortos...
... sua mãe havia lhe dito que ela tinha sido um 'acidente'. como alguém pode ser um acidente?

...ele não conseguia entender porque ele era visto como diferente, enquanto todos os outros eram considerados normais...
ele concordava com seu físico favorito, de que existem apenas duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana...

... apesar de ter alcançado todos os objetivos de sua vida... ainda se sentia incompleto...

... você pode me explicar o amor e como eu posso ser amada?
... se ao menos houvesse uma equação matemática para o amor...
... ele sentia o amor, mas não sabia articulá-lo...

...a verdadeira amizade é vista com o coração, não com os olhos...
você não é perfeita. você é imperfeita igual a mim. todos os seres humanos são imperfeitos... ele disse que eu teria que aceitar meus defeitos e tudo mais, e que nós não escolhemos nossos defeitos; eles são uma parte de nós e temos que viver com eles. podemos, no entanto, escolher nossos amigos..."
(mary e max, direção e roteiro de adam elliot, baseado em uma história real...
filme lindo, delicado, humano e desidratante...)