sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

a bolsa ou a vida

‎"a bolsa ou a vida! se escolho a bolsa, perco as duas. se escolho a vida, tenho a vida sem a bolsa, isto é, uma vida decepada. vejo que me fiz suficientemente compreender.

foi em hegel que encontrei legitimamente a justificação dessa apelação de vel alienante. do que se trata, nele? - economizemos nossos tratos, trata-s...e de engendrar a primeira alienação, aquela pela qual o homem entra na vida da escravidão. a liberdade ou a vida! se ele escolhe a liberdade, pronto, ele perde as duas imediatamente - se ele escolhe a vida, tem a vida amputada da liberdade"
(lacan, seminário 11, p. 201)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ninguém nunca teve mais...



"se não tivesse o amor,
se não tivesse essa dor
e se não tivesse o sofrer
e se não tivesse o chorar
melhor era tudo se acabar
eu amei, amei demais
o que eu sofri por causa de amor ninguem sofreu
eu chorei, perdi a paz
mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu"
(berimbau, vinicius, baden powell e paulo bellinati)

domingo, 14 de novembro de 2010

invento o cais

uma das coisas mais lindas já feitas no mundo...
"para quem quer se soltar invento o cais
invento mais que a solidão me dá
invento lua nova a clarear
...invento o amor e sei a dor de encontrar
eu queria ser feliz
invento o mar
invento em mim o sonhador
para quem quer me seguir eu quero mais
tenho o caminho do que sempre quis
e um saveiro pronto pra partir
invento o cais
e sei a vez de me lançar"
(cais - milton nascimento e ronaldo bastos)

domingo, 31 de outubro de 2010

a outra metade também...

"que não seja preciso mais do que uma simples
alegria para me fazer aquietar o espírito
e o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço
que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para faze-la florescer
porque metade de mim é plateia
e a outra metade é canção
que minha loucura seja ao menos perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também"
(oswaldo montenegro)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

sobre o resgate da subjetividade...

O NOME DA VACA (por Moacyr Scliar)
Ao ver que subestimara a psicologia animal, passou a batizar todas as vacas; o resultado foi fantástico.

No Ig Nobel, uma espécie de "Oscar" dos trabalhos científicos mais esdrúxulos do ano, foram premiados, na categoria de medicina veterinária, Catherine Douglas e Peter Rowlinson (Universidade de Newcastle, Reino Unido), por mostrarem que vacas que têm nome dão mais leite do que as que não têm.

crônica:
"OS DOIS ERAM IRMÃOS, os dois viviam no campo, os dois tinham tambos de vacas leiteiras. Não com o mesmo êxito, porém.
O tambo do irmão mais velho, Arnulfo, era muito bem-sucedido; produzia cerca de quatro a cinco vezes mais leite que o tambo do irmão menor, Miguel. E isso deixava Miguel frustrado e irritado. Simplesmente não conseguia identificar a razão dessa diferença.
As vacas de ambos os tambos eram da mesma raça, recebiam a mesma ração, os mesmos cuidados, eram assistidas pelo mesmo veterinário. Na hora da ordenha, contudo, as vacas de Miguel davam uma quantidade insignificante de leite. Em busca de uma solução, ele consultou outros criadores, numerosos veterinários e até adivinhos, sempre sem resultado.
Mas Miguel era um homem atento, informado. Estava sempre atrás de novidades no ramo leiteiro. Foi assim que leu, na internet, a notícia de um trabalho inglês mostrando um fato surpreendente: vacas que têm nome dão mais leite que vacas anônimas.
Miguel ficou boquiaberto. Dava-se conta de uma diferença fundamental entre as vacas de seu irmão e as dele. As vacas de Arnulfo todas tinham nomes, e nomes carinhosos: Mimosa, Princesa, Brejeira, Boneca. Nomes ternos, engraçados, nomes que faziam Miguel debochar do mano: para mim você anda tendo casos com suas vaquinhas.
Agora, porém, percebia seu erro, subestimando a psicologia animal. Um erro que corrigiu em seguida: no mesmo dia batizou todas as vacas, usando nomes de antigas namoradas (várias, felizmente). O resultado foi fantástico. Tal como sugerira o trabalho, a produção de leite aumentou astronomicamente.
Uma das vacas revelou-se particularmente produtiva. Na verdade, dava tanto leite que sua fama não tardou a espalhar-se. Se você vendê-la, vai ganhar uma fortuna, sugeriu Arnulfo. E Miguel de fato começou a pensar na possibilidade. Um dia de manhã, contudo, aconteceu algo inesperado. Ele foi ao tambo, e, como de costume, saudou as vacas pelo nome: bom dia, Silvana; bom dia, Daisy...
Mas quando chegou na campeã, constatou, perturbado, que esquecera o nome dela. E não houve jeito de lembrar, nem naquele dia, nem nos dias seguintes.
Resultado: a vaca não deu mais leite. Em vão, Miguel tentou usar outro nome; não, pelo jeito, ela queria mesmo o original.
Que ele não consegue lembrar. Lembra, sim, a moça de mesmo nome que havia namorado anos antes, em outra cidade, e que desde então perdera de vista. Namoro curto, porque a garota era muito chata; mas, quando ele anunciou o fim da ligação, ela fez uma ameaça que se revelou profética: um dia, disse, você vai pagar por ter me desprezado.
Agora, porém, percebia seu erro, subestimando a psicologia animal. Um erro que corrigiu em seguida: no mesmo dia batizou todas as vacas, usando nomes de antigas namoradas (várias, felizmente). O resultado foi fantástico. Tal como sugerira o trabalho, a produção de leite aumentou astronomicamente.
Uma das vacas revelou-se particularmente produtiva. Na verdade, dava tanto leite que sua fama não tardou a espalhar-se. Se você vendê-la, vai ganhar uma fortuna, sugeriu Arnulfo. E Miguel de fato começou a pensar na possibilidade. Um dia de manhã, contudo, aconteceu algo inesperado. Ele foi ao tambo, e, como de costume, saudou as vacas pelo nome: bom dia, Silvana; bom dia, Daisy...
Mas quando chegou na campeã, constatou, perturbado, que esquecera o nome dela. E não houve jeito de lembrar, nem naquele dia, nem nos dias seguintes.
Resultado: a vaca não deu mais leite. Em vão, Miguel tentou usar outro nome; não, pelo jeito, ela queria mesmo o original.
Que ele não consegue lembrar. Lembra, sim, a moça de mesmo nome que havia namorado anos antes, em outra cidade, e que desde então perdera de vista. Namoro curto, porque a garota era muito chata; mas, quando ele anunciou o fim da ligação, ela fez uma ameaça que se revelou profética: um dia, disse, você vai pagar por ter me desprezado.
E agora ele está pagando. Se pudesse, iria em busca da garota. Mas precisaria recordar-lhe o nome. O que está fora de seu alcance: o enigma do nome é o misterioso enigma da vida, que se manifesta em humanos e em vacas. Nos primeiros, pela capacidade de dar nomes; nas vacas, pela produção de leite."


"o que a ciência esvazia de significações, a arte pode preencher" (eduardo furtado, psicanalista)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

desrespeitou os sinais...


"bifurcação, entrocamento, contramão, são ruas sem fim, vias de fato aos pés de quem desrespeitou os sinais e atravessou ileso, decidiu flutuar, quis se plantar de peso. quando a noite cansar e a luz brotar a esmo, sigo meu caminhar, nunca amanheço o mesmo".
vídeo: thiago frança, juç...ara marçal e kiko dinucci, cantam vias de fato de douglas germano, kiko dinucci e edu batata

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

só o amor nessa vida conduz...


"se eles julgam que há um lindo futuro, só o amor nessa vida conduz. saibam que deixam o céu por ser escuro, e vão ao inferno à procura de luz"
(vídeo: gilberto gil e hildo hora, esses moços, de lupicinio rodrigues)