quinta-feira, 9 de outubro de 2008

...aos ressabiados...

“...mas as coisas estão tão esquisitas hoje em dia... incrível!

a gente anda ressabiado de dizer que gosta das pessoas... então a gente inventa coisa, entende? a gente inventa que é tímido... e que não encontra jeito de dizer. a gente inventa que está ocupado e que um dia, sei lá, vai ter tempo de sentar e conversar... de repente, você se toca que não tem mais nada pra ser feito... é tarde paca!
quero dizer, eu não acho que seja tarde, entende? porque eu acho que as coisas não se acabam aqui. isso aqui é... a gente vem pra cá pra isso mesmo: pra ficar aqui fazendo coisas... acrescentando uma bagagem grande pra gente e pras pessoas... e transar uma vida melhor...

realmente é muito triste... as pessoas só saberem que a gente gosta delas depois que elas se foram."

(entrevista do DVD "elis regina, 1973 mpb especial")

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fê, des-res.sabi.ando...

domingo, 14 de setembro de 2008

do sertão...

a figura que marca a geografia da época é o deserto...
...é a “era do vazio” (lebowski)...

vive-se numa sociedade do “futilitário”, isto é, do lixo que o homem produz e não sabe o que fazer com ele...
...quer-se objetos e precisa-se objetivar tudo...!

num mundo globalizado... e virtual dos computadores... se está cada vez mais sem fio (leia-se “fio”: ligação)...
é a era das relações virtuais, em que pessoas já não se encontram... eis a relação “autística”...
é uma globalização que provocou crises na identidade... o sujeito já não sabe quem é, tampouco ao que pertence. propõe-se a globalização e eis que se tem a individualização...

... é a sociedade narcísica... do piercing no próprio umbigo...

os sintomas atuais (toxicomania, bulimia, anorexia, vigorexia, solidão) já não são caracterizados pela proibição e pela transgressão, tais quais as histéricas de freud, mas sim pela busca do grupo e da identidade como forma de laço, dado que não há mais “pai” para regular as re.lações. os sintomas atuam para dar identidade ao sujeito globalizado que está sem pátria.
nos crimes atuais, por exemplo, nota-se a imensa quantidade de crianças maltratadas... não se mata mais o “pai”, mas sim os filhos.

lacan diria que estamos vivendo numa infância generalizada... não há mais pessoas adultas, responsáveis pelo seu sofrimento, seu gozo...! estão infantilizadas e reduzidas ao objeto.

o comando pelo nome do pai, de outrora, já não existe. no segundo capitalismo ou pós-modernidade (pós 50)... mudanças nas relações deram-se caracterizadas no mercado de consumo, pelo incentivo descomedido para consumir. as relações aparecem então reguladas pela lógica do mercado.

o “outro” contemporâneo é o da demanda, não o do desejo.

os sujeitos comandam os objetos e são comandados por eles:
“ipode”... não pode...!

multiplicaram-se os ideais! vivemos na sociedade da morte e do edonismo...
morte: “matar-se” de trabalhar... suicidar-se...
edonismo: bem-estar, obrigatório (é proibido sofrer); bens de consumo... “meu-bem” de consumo... meu bem dá consumo...; ser feliz, pois não é permitido ser triste.

há sempre o “remédio para o mal” (cura rápida do sintoma e a promessa de felicidade)
e há o “mal para o remédio”...
... crê-se que os sintomas precisam ser eliminados rapidamente, sem questionamento. não se questiona a compulsão e as próprias patologias que são as do consumo.

e numa sociedade em que todos devem ser felizes, eis a depressão...
e numa sociedade em que todos devem estar no mundo, eis a síndrome de pânico.

ora, o inconsciente governa e determina o sintoma...
ainda assim, o saber inconsciente é rebaixado, desqualificado.

o sujeito do inconsciente é apoiado na experiência do saber... de um saber não sabido, um saber que não sei que sei.

a psicanálise é o lugar para a palavra... a chance de sair de objeto para sujeito...
de saber do ser comandando pelo inconsciente e sobretudo então comandá-lo.

a causa do sintoma tem a ver com o desejo... deve-se buscar ouvi-lo, entender o que quer dizer.

o sujeito que diz não a psicanálise é o que não quer saber sobre si.

freud mostra que há o inexplicável... que não somos detentores do saber... ora, eis então: “do que se trata?”
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“sertão é dentro da gente” (guimarães rosa)
ser.tão é dentro da gente...
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fê: desert...ando no ser.tão


(de "ssss" gualcinéia gomes e um tanto do que me veio)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

...do:r coração de pedra...

















"tinha cá pra mim
que agora sim
eu vivia enfim o grande amor
mentira
me atirei assim
de trampolim
fui até o fim um amador
passava um verão
a água e pão
dava o meu quinhão pro grande amor
mentira
eu botava a mão
no fogo então
com meu coração de fiador

hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito, não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada
quando aparece uma flor
e dou risada do grande amor
mentira

fui muito fiel
comprei anel
botei no papel o grande amor
mentira
reservei hotel
sarapatel
e lua-de-mel em salvador
fui rezar na sé
pra são josé
que eu levava fé no grande amor
mentira
fiz promessa até
pra oxumaré
de subir a pé o redentor

hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito, não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada
quando aparece uma flor
e dou risada do grande amor
mentira"
(samba do grande amor - chico buarque / 1983)



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fê, "hoje...tenho apenas uma pedra no meu peito...
mentira"...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

há alguém

aniversário de um momento feliz de meu mundo, da concretização da certeza tida: de estar com "alguém" que faz sentido...
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(vídeo: alguém - lui leal)

sábado, 16 de agosto de 2008

sob.re a lua e o ser...


"rio da lua
mais largo que uma milha
eu atravessarei você com elegância
algum dia

oh fabricante de sonhos
você partiu meu coração
onde quer que você esteja indo
eu estarei seguindo seu caminho

indo à sua deriva
poderei ver o mundo
há uma grande quantidade de mundo
para se ver

nós procuraremos a extremidade do mesmo arco-iris
Seguindo através de suas curvas
Meu amigo Huckleberry
rio da lua e eu"

(moon river - johnny mercer e henry mancin / audrey hepburn, breakfast at tiffany's)

"filha: o homem pisou na lua!
mãe: o homem pisou na lua? como filha?
filha: um foguete... uma espaçonave...
mãe: e voltou mais moço... não voltou?
filha: não mãe! acho que voltou até mais velho.
mãe: ah... e ele encontrou o que na lua?
filha: nada
mãe: nada?
filha: nada! dizem... que areia!
mãe: areia...
filha: é, areia."
(casa de areia – andrucha waddington / fernanda montenegro e fernanda torres)
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são tantos os caminhos percorridos para sair de onde se está... por algum outro espaço...
há espaço diferente pra onde rumar...?
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duas luas?
acho que "rio da lua", "é areia"!

...é apenas eclipse: o que vai se sobrepor?
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fê, por caminhos e sentidos, no espaço...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

sabe.dor.ia

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sabedoria
sabe.dor.ia
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...fê, suplic.ando... ag.indo...

sábado, 2 de agosto de 2008

an.dor.inhas...

“acordar para sonhar”

“as andorinhas voltaram
e eu também voltei
pousar, no velho ninho
que um dia aqui deixei

nós somos andorinhas
que vão e que'(m)' vem
a procura de amor,
às vezes volta cansada,
ferida machucada
mas volta pra casa
batendo suas asas
com grande dor

igual a andorinha
eu parti sonhando
mas foi tudo em vão
voltei sem felicidade

porque, na verdade
uma andorinha,
voando sozinha
não faz verão”
(as andorinhas - trio parada dura)

no comecinho, ainda que com resistências, saímos da casca, olhamos o mundo, buscamos os “nossos”...
crescemos, criamos asas... aaah v(o)amos rumo aos apetecimentos...
um caçador surge com armas e mira no pássaro voador.
o caçador? quem ele é? o outro? o próprio eu? quem será que está querendo romper o vôo?
o pássaro...? vive? morre?

eis a procura pelo amor, eis as feridas, eis o sozinho...
mas se uma andorinha só não faz verão e queremos sol...
eis que retomamos o que deixamos mas que ainda precisa ser olhado
quem sabe um novo olhar nos dê novas visões... voar de novo? sonhar?

o caçador, ele acerta? ele erra?
acertar é errar... ...?
errar é acertar... ...?
o que acontece no fim?

cada qual havemos de dar nossas respostas...
...quiçá, vôos... (por ora, minha resposta)


fê, “batendo suas asas com grande dor”